Recursos para financiar imóveis somam R$ 50 biilhões
Cerca de R$ 50 bilhões, provenientes da caderneta de poupança, serão destinados ao financiamento imobiliário em 2010, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), com novas 450 mil unidades financiadas. O montante supera em 50% o volume de recursos da poupança que foi aplicado no financiamento habitacional em 2009, de R$ 34 bilhões. Segundo os profissionais consultados, os recursos da caderneta de poupança serão suficientes para cobrir todo o volume estimado para o financiamento habitacional, sem necessidade de colocação de aportes adicionais por parte das instituições financeiras.
"A caderneta de poupança vai atender plenamente os clientes, sem complementação dos bancos. A poupança tem potencial para continuar sendo o principal funding do financiamento imobiliário por alguns anos", afirma o presidente da Abecip e diretor de crédito do Itaú Unibanco, Luiz França.
Em 2009, a caderneta de poupança registrou captação líquida de R$ 30,41 bilhões contra R$ R$ 17,75 bilhões, em 2008. A entrada de recursos foi mais consistente em 2007, quando houve o registro de R$ 33,38 bilhões de captação líquida. Acompanhando o movimento, os recursos destinados ao financiamento habitacional também evoluíram. De 2007 a 2009, passou de R$ 18 bilhões para R$ 34 bilhões. Em 2010, o aumento do volume de recursos da poupança para o financiamento de moradias deve ser 50% maior.
Com isso, a expectativa da Abecip é de que novas 450 mil unidades sejam financiadas neste ano contra 302 mil em 2009. O interesse crescente pelo financiamento imobiliário pode ter uma explicação. "Há uns cinco anos, as famílias compravam imóveis com prazo de financiamento inferior a uma década. Agora, o prazo pode chegar a 20 anos. Com o maior espaço de tempo, menor o pagamento mensal, mais atrativo fica o financiamento", afirma Leonardo Corrêa, vice-presidente financeiro da construtora e incorporadora MRV Engenharia, com previsão de vender cerca de 40 mil unidades em 2010.
Segundo dados da Abecip, em 2006, o preço médio de cada imóvel, financiado pelos bancos nacionais, era de R$ 70,6 mil. Em 2007, o ticket médio por unidade ficou em R$ 84,1 mil e, em 2008, o preço de cada unidade, em média, foi de R$ 100,5 mil. Em 2009, o preço médio ficou em R$ 123,0 mil.
Dentro das regras da exigibilidade, determinadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), os bancos são obrigados a aplicar 65% dos depósitos de poupança em contratos de financiamentos habitacionais.
Não faria sentido levantar recursos da tesouraria do banco para empréstimo de longo prazo, durante 15 ou até 20 anos. O custo atrelado à taxa básica Selic seria muito superior ao da poupança, de 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR), diz o diretor imobiliário do Grupo Santander, José Roberto Machado Filho. "Os recursos da caderneta de poupança ainda apresentam o menor custo do mercado."
É importante saber que hoje a taxa Selic também é um balizador para a rentabilidade da poupança. Quando a Selic é reduzida, aciona gatilhos que diminuem o ganho da caderneta de poupança. Isso passou a existir em março de 2007, quando a Resolução 3.446 determinou a revisão da tabela do fator redutor da Taxa Básica Financeira (FBF) para novos cálculos da Taxa Referencial, que por sua vez, está relacionada ao rendimento da caderneta de poupança.
De meados de 2005 para cá, a taxa de juro foi caindo. Recentemente, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em abril, a Selic foi elevada para 9,5% ao ano. O ganho da caderneta de poupança tem acompanhado o movimento. Nos primeiros quatro meses de 2010, a remuneração da poupança ficou em 0,5% ao mês (garantido por lei), no entanto, a Taxa Referencial (TR) foi zerada em janeiro, fevereiro e abril. Apenas em março, ficou em 0,08.
Diante da evolução da captação de recursos pela caderneta ao longo dos anos, tem ampliado o número de unidades financiadas em diferentes regiões do Brasil, não apenas no eixo Rio-São Paulo. Entre 2008 e 2009, o crescimento do financiamento imobiliário, com recursos da poupança, aumentou 69,4% na região Centro-Oeste, 22,9% no Sul, 20% no Nordeste, 17,9% na região Norte e apenas 5,2%, na região Sudeste, segundo dados do Banco Central e Abecip.
O crescimento habitacional nas outras regiões foi mais acelerado entre 2006 e 2007, quando o mercado imobiliário cresceu, em volume de recursos, 120% na região Norte, 131% no Nordeste, 105% no Sudeste, 56% no Sul e 73% nos Estados do Centro-Oeste.
A Caixa mantém importantes linhas de crédito imobiliário voltadas à demanda das construtoras nas cinco regiões, com empreendimentos voltados à baixa e à média renda, mantendo convênios com grandes empresas do setor imobiliário. Os empréstimos imobiliários da Caixa representaram 71% do crédito imobiliário do mercado em 2009. Além dos recursos da caderneta da poupança (R$ 19,49 bilhões), há ainda dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e outras fontes.
"Nosso foco é continuar crescendo, acompanhando a expansão do banco", afirma José Roberto Machado Filho, diretor imobiliário do Grupo Santander. Com a aquisição do Banco Real, o Santander está com maior presença nas regiões Norte e Nordeste do país.
No Bradesco, o Sudeste ainda representa 50% dos valores financiados. "A tendência é de redução deste percentual nos próximos anos, tendo em vista o crescimento dos demais Estados, principalmente no Norte e Nordeste", diz o superintendente executivo Cláudio Borges.
"As parcerias do Itaú Unibanco com todas as construtoras, na produção de novos empreendimentos, tem contribuído para a expansão do financiamento imobiliário em outras regiões. Um grande vetor de crescimento é Brasília, explica França, diretor de crédito imobiliário do banco.
Fonte: Valor Econômico
08/2010
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